Quando meu bebê vai começar a falar?

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Filha de mãe faladeira, faladeirinha é né, gente? (Nem sempre, mas no meu caso isso é real rsrs)

A Manu é uma criança que começou a falar muito cedo (demorou a andar, mas isso é oooutro caso…). Nós nunca falamos com ela imitando bebê e nem errando as palavras pra ficar engraçadinho então não sei se isso pode ter ajudado, mas o caso é que ela sempre falou as palavras corretamente.

Ainda hoje, com quase 3 anos, vejo muitas mães de amiguinhos espantadas com a “falação” dela e cheias de dúvidas, comparando a forma dos seus filhos falarem. Eu sempre digo que isso é de cada criança, assim como outras começam a andar com meses, o que nunca me deixou encucada…

Mas pra tirar de vez essas dúvidas e dar um suporte às mamães dos mais quietinhos, convidei a Fonoaudióloga Bruna Bendelak para responder a essa perguntinha (dupla):

Qual é a idade certa para o bebê começar a falar? É normal a criança não formular frases até os 3 anos?

“Para responder a essas perguntas é necessário falar de forma resumida sobre o processo de aquisição da fala. Portanto, vamos lá…  

A aquisição da linguagem depende de um aparato neurobiológico e  social, ou seja, de um bom desenvolvimento de todas as estruturas cerebrais, de uma gestação e parto sem intercorrências e da sua interação social desde sua concepção.

Em outras palavras, apesar da imensa discussão sobre a linguagem ser inata (de nascença) ou aprendida, hoje a maior parte dos estudiosos concorda que há uma interação entre o que a criança trás em termos biológicos e a qualidade dos estímulos do meio.

Alterações em qualquer uma dessas frentes, pode prejudicar sua aquisição e seu desenvolvimento.

Dito isto, vamos ao que se é considerado Padrão da Normalidade: entre 4 a 6 meses, o bebê começa a balbuciar, produzindo todos os sons possíveis de realizar; com 9 a 11 meses, a criança vocaliza com controle tonal e intensidade (já percebe os sons que realiza e os controla); por volta de um ano de idade, começa a espaçar e encurtar mais as vocalizações, para dar espaço às respostas advindas do adulto, já começa a entender os turnos da fala; de um ano e meio a dois anos, o vocabulário ainda é pequeno, mas já consegue pronunciar alguns fonemas (/p/, /b/, /t/ /d/, /k/, /g/), nasais (/m/, /n/) e semivogais.

Nesse período, a criança pode realizar estruturas silábicas simples (mama, papa) e surgem as primeiras palavras. Teoricamente, o vocabulário deve conter em média 150 palavras e já começam a aparecer frases com duas ou três palavras, a criança começa a responder a ordens simples, começa a habilidade de chamar a atenção do que deseja, através da nomeação. Com 3 anos, a criança deve realizar estruturas frasais mais complexas (a partir de quatro elementos), reflexão de gênero, quantidade e na atividade lúdica, a criança é capaz de ‘fingir’, ‘fazer de conta’.

Com base nestas informações, se a criança já tem 4 anos de idade e não apresenta nenhuma das características mencionadas, o ideal é que seja procurado um fonoaudiólogo que atue na área específica de LINGUAGEM, haja vista que as áreas de atuação dentro da Fonoaudiologia são muito variadas, o que não necessita de nenhum encaminhamento do pediatra ou outro profissional.

Bruna Bendelak (CRF 10158) é Graduada em Fonoaudiologia pela Universidade da Amazônia (UNAMA) e Especializanda em Distúrbios da Fala e Linguagem pela Faculdade Integrada (AVM). 

Fonoaudióloga da Clínica FonoCentro e Estética e Fonoaudióloga particular com atendimento em Home Care, há 6 anos atendendo em Belém e Ananindeua no Estado do Pará. 

Contatos: 91 -981447903 ou bbendelak@gmail.com