Musicalização na Escola: Você já ouviu falar?

Sempre presente no dia a dia de crianças e adolescentes, a música agrada todas as turmas.

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Por Joelma Jardim

A relação das crianças com a voz materna e a memória sonora delas começam a ser a formadas na gestação. Essas “impressões sonoras” preparam o vínculo do filho com a mãe para quando o cordão umbilical não os unir mais. Por isso, de acordo com Ana Paula Stahlschmidt, psicóloga e doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é interessante que os pequenos ouçam a voz da mãe desde cedo, inclusive na hora do acalanto, como também são chamadas as canções de ninar.

No mundo todo, o passar do tempo muda as gerações e as culturas, mas essas músicas, que embalam o sono dos bebês, têm lugar cativo no repertório familiar. Elas acalmam, aconchegam e dão segurança para que os bebês durmam. Curtas e repetitivas, são fáceis de decorar.Na creche, as canções de ninar ajudam a estabelecer outro laço afetivo: o do educador com as crianças, que passam a se sentir mais tranquilas e acolhidas.

Na escola, criança tem de ouvir música de criança. E só música de criança, certo? Não.  Não se pode limitar o contato da turma à chamada música infantil. Algumas delas têm texto fraco, muito óbvio ou com rimas pobres. De acordo com o Referencial Curricular Nacional, é importante que a percepção musical na pré-escola seja estimulada pela audição e pela interação com diversos tipos de canções. No cardápio de gêneros, estilos, épocas e culturas, o fundamental é que o repertório tenha qualidade – em outras palavras, que possua riqueza de composição e de arranjos.

Mesmo não sendo especialista no assunto, nós professores podemos direcionar a turma a prestar atenção ao som, observando as características rítmicas, os silêncios, os instrumentos e o uso da voz. O trabalho pode começar com uma sondagem sobre as músicas preferidas dos pequenos. Realizar esse tipo de trabalho ajuda a melhorar a sensibilidade das crianças, a capacidade de concentração e a memória, trazendo benefícios ao processo de alfabetização e ao raciocínio matemático. ‘A música estimula áreas do cérebro não desenvolvidas por outras linguagens, como a escrita e a oral’.

Joelma Jardim é Pedagoga e Psicopedagoga