Mãe tem atendimento negado e parto acontece no posto de gasolina

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Na semana passada aconteceu aqui na minha cidade uma situação daquelas que a gente lê no jornal e não acredita que pode ser verdade. Uma mamãe deu à luz em um posto de gasolina, depois de ter o atendimento negado em um hospital.

No início eu achei que fosse algum boato político na cidade, já que isso tem acontecido com frequência, mas minha veia jornalística me fez ir atrás da Débora Lima, a mamãe da Anna Vitória, para entender melhor o que aconteceu. Olha só a nossa conversa:

-Como foi o acompanhamento da sua gestação? Você estava preparada para ter sua filha por esses dias?

Quando eu descobri que estava grávida, foi um susto imenso. Eu não planejava e nem pretendia ter mais filhos, porque já tinha uma menina de 4 anos e de fato as coisas não estão fáceis para ninguém. Eu estava com 37 semanas, segundo as contas médicas, e a DPP era dia 27/09. Fiz meu pré-natal todo direitinho com o mesmo médico que fez o parto da minha primeira filha.

– Então ela se antecipou, né?

Sim, minhas contrações se iniciaram por volta das 3:30 da madrugada de sábado. Os intervalos eram de aproximadamente 10 em 10 minutos e eu aguardei até as 5h da manhã, quando diminuíram pra 5 minutos e depois 3 minutos. Enquanto isso eu terminava de arrumar as bolsas. Cheguei ao Hospital São Silvestre por volta das 6:30 da manhã com intervalos de apenas 1 minuto entre as contrações. Eu já não aguentava mais andar e meu marido entrou pra pegar uma cadeira de rodas.

– Por que você não conseguiu atendimento?

Ao chegar na recepção do hospital, meu marido foi informado pelo guarda de que não havia médico no plantão e o hospital estava sem medicamentos, sendo recomendado irmos para uma das cidades vizinhas.

– Como você estava nesse momento?

Quando meu marido voltou pro carro e me contou isso, eu entrei em desespero, pois pelo tempo das contrações, sabia que não daria tempo. Apesar disso, eu estava me controlando para também não deixar meu marido nervoso, já que ele estava dirigindo. Quando paramos para abastecer no caminho eu senti uma pressão muito forte e não conseguia mais me controlar. Pedi para que ele me ajudasse a ir ao banheiro, mas na realidade eu não sabia muito bem o que fazer.

– E o que vocês fizeram?

Pedi ao meu marido que olhasse como estava a situação e a cabeça da minha filha já estava encaixada e a bolsa havia estourado sem que eu nem percebesse. Eu nem cheguei a fazer muita força, só pedi que meu marido ligasse para os bombeiros. Ele então passou o telefone para o frentista ligar e foi quando ela nasceu. Meu marido aparou ela nas próprias mãos, eu a peguei e coloquei direto no peito, enrolando com uma toalha.

– E como foi passar por isso tudo?

Nesse momento toda a dor e desespero acabaram. Eu só ria e agradecia por ter minha filha nos braços. O cordão umbilical não foi cortado e a placenta também ainda não havia saído. Então fomos direto para a UPA da cidade e fomos muito bem atendidos pela médica do plantão, que juntamente com sua equipe fez todos os procedimentos com a minha filha e cortou o cordão. Logo em seguida senti uma forte cólica e expeli a placenta, que é a foto que está circulando nas redes sociais.

Foi tudo muito desesperador até o momento do nascimento, mas quando ela estava em meus braços, toda a dor acabou e eu só sabia rir e dizer o quanto ela era linda. Eu não queria fazer parto normal e desde o início pedia ao médico do pré natal que fizesse cesárea. Minha ficha só caiu do que estava acontecendo quando fui encaminhada de volta ao primeiro hospital e constatei que havia sim o atendimento que eu precisava desde o início e não recebi.

Olha só a Anna Vitória, gente!

 

Gente… com tudo isso eu só posso dizer que estou completamente chocada! Não consigo imaginar o que essa mãe passou e o quanto ela foi forte durante toda a situação.

Nesse momento só posso desejar muita saúde à pequena Anna Vitória e torcer para que tudo corra conforme o planejado até o parto da Maitê.

Rezemos para que nossos governantes entendam o quanto nós (gestantes e mães) precisamos de apoio, atenção, acolhimento e atendimento.