Dia Mundial de Conscientização do Autismo

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No dia 2 de Abril celebra-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data que foi decretada pela ONU em 2008, pedindo mais atenção ao Transtorno do Espectro Autista, nome “oficial” do autismo. Vocês sabiam que a incidência em crianças é mais comum do que a soma dos casos de Aids, Câncer e Diabetes juntos? No Brasil, estima-se que os casos já ultrapassem os 2 milhões, sendo mais da metade ainda sem diagnóstico.

Para este dia especial, convidei em 2016 a Artesã Ana Cristina para falar sobre sua relação com seu filho Miguel desde a descoberta do autismo e seu desenvolvimento até os dias de hoje, aos 6 anos. Além de deixar também algumas informações importantes sobre o diagnóstico, tratamentos, etc.

Acompanhe aqui embaixo esse relato super emocionante dela, que luta todos os dias para que seu filho leve uma vida longe do preconceito.

“Sou mãe de 3 lindos filhos: Mayara, Vitória e Miguel Leandro, hoje com 6 anos. As minhas meninas sempre foram crianças normais, mas Miguel tinha algo de especial.

Logo ao nascer, ele era uma criança normal. Aos 4 meses, apresentou uma intolerância à lactose e parei de amamenta-lo, passando a utilizar um leite especial e entrando em uma dieta rigorosa. Quando completou 1 ano e 3 meses, conseguiu sair da dieta, mas ele já demonstrava sinais de que algo diferente acontecia. Começou a apresentar quadros diferentes daqueles que eu vi com minhas outras filhas. Não falava, andava na ponta dos pés, enfileirava os brinquedos, girava várias vezes em torno de si. Comecei a prestar mais atenção em cada detalhe.

Como já tinha meu afilhado bem próximo de mim que apresentava os sintomas parecidos e já estava em tratamento, ficou mas fácil identificar. Pedi a minha Comadre que me ajudasse marcando pra uma consulta com a neurologista.

Passando pela avaliação médica, fiz todos os exames necessários para avaliar se ele poderia ter algum problema neurológico e todos os exames deram normais, fechado assim o diagnóstico do Espectro Autista.

Neste momento começamos uma nova batalha, matando um leão por dia. Foi feita a prescrição de um medicamento para manter a imperatividade e solicitado o acompanhamento de dois profissionais para ajudá-lo no seu tratamento: uma psicóloga e uma fonoaudióloga.

Miguel, aos 2 anos foi para a creche, onde permaneceu por  um período de 2 anos em horário integral. No começo foi difícil, pois para um Autista é complicado sair da sua rotina diária. No seu primeiro ano já teve algumas evoluções, mas no segundo ano, teve uma evolução muito maior. Na metade do ano já compreendia muitas coisas. Ao término desse ano, Miguel teve uma grande evolução, já reconhecia as vogais, as cores e formas geométricas,  já falava frases compostas. Claro que pra ele com todas as suas limitações foi um grande avanço e também com a ajuda das professoras e equipe da creche.

Passeios e viagens de ônibus que a creche promovia eram assustadores pra ele, pois fugiam da sua rotina do dia a dia. Na rotina dele, sempre vínhamos pelo mesmo caminho e sempre parávamos na mesma lojinha de doce para comprar 2 pirulitos e uma jujuba(os mesmos doces de sempre).

Mas este ano foi um pouco diferente, a minha maior preocupação seria como ele reagiria a troca de escola. Como ele iria se adaptar a sua nova rotina? No seu primeiro dia de aula na escola nova tive que ficar com ele, pois não se sentia seguro, no segundo dia fiquei mas um pouquinho, mas para minha surpresa ele se adaptou muito bem à escola e à nova rotina. E hoje pede até aos fins de semana pra ir à escola.

Miguel é uma criança super carinhosa, mas que não pode ser contrariada porque fica um pouco agressiva. Já está conseguindo demonstrar sentimentos em suas brincadeiras, até relatado pela própria psicóloga que o acompanha.

Tem suas restrições em alguns tipos de alimentos. Tem também gostos por coisas diferentes como por exemplo: Postes de iluminação e portões de casa (características desse tipo de crianças) Gosta de comer sabão e repetir tudo o que outras pessoas falam.  Gosta de carros e se apega a coisas simples, como uma folha de árvore. Gosta dos mesmos desenhos.

Seu beijo evoluiu bastante, mas não consegue beijar como uma pessoa normal beija, ele apenas encosta de leve a boca, e quando o beijam ele automaticamente limpa o rosto.

Algo que sempre me chamou atenção é que ele sente pouca demonstração de dor. Miguel já se machucou por várias vezes e duas delas ele não expressou nada. Uma foi o lápis que enfiou na testa e que  fez um buraco e outra uma queda que teve de cabeça que não escorreu uma lágrima. Nenhuma expressão de dor. Como a sensação de frio e quente. Tem paixão por coca-cola ou qualquer coisa que seja gasosa e ainda tem dificuldades de ir ao banheiro sozinho.

Conversando com outras mães, descobri que outras crianças também apresentam esse mesmo quadro, e que por sinal a parte do intestino funciona um pouco diferente.

Hoje em dia, posso dizer que Miguel evoluiu bastante, teve grandes avanços. Avanços estes por ter tido um acompanhamento desde cedo, desde que percebi que algo tinha de errado.

Infelizmente a sociedade e alguns pais de crianças não conseguem aceitar a condição de uma criança ou um adulto ser portador de Autismo. Como mãe de uma criança assim, digo que já sofri muitos preconceitos, mas não me calo diante ao fato e rebato. Como por exemplo reclamações de que o Miguel é muito levado.

Se você, mãe ou pai, tem um filho que apresente algo de diferente no seu comportamento, procure uma ajuda médica. Isso ajudará você e o seu filho. Não deixe para mais tarde o que pode ser diagnosticado antes.”