Educação Infantil: O Desenvolvimento da Criança até 3 anos

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Por Joelma Jardim

“Em nenhuma outra fase da vida as crianças se desenvolvem tão rapidamente quanto até os 03 anos de idade. Daí a importância de entender como cada atividade ou brincadeira ensina.

Os pequenos recebem cuidados e atenção e têm espaço para explorar, brincar e se conhecer. Em sala, têm à disposição brinquedos e materiais que incentivam a expressão artística e estimulam a imaginação. No parque, se divertem. Mesmo sem saber ler, manuseiam livros. Muitas vezes, nem conseguem falar e já estão “cantando” cantigas de roda e seguindo coreografias. Assim é o dia a dia das crianças de até 03 anos na Educação Infantil.

A autonomia da criança se constrói a partir do entendimento de que “ela é capaz de fazer sozinha”. Nas últimas décadas, diferentes campos de conhecimento vêm contribuindo para pensar a criança contextualizada e produtora de cultura.

 A Neurociência, a Pedagogia, a Sociologia e a Antropologia concebem a criança como um ser social pleno, dotado de capacidade de ação e culturalmente criativo.  Isto é, uma concepção da criança como sujeito de direitos, sujeito de história, capaz de tomar decisões e construir hipóteses sobre a vida e sobre as coisas. Estimular a autonomia é possibilitar sua movimentação livre e respeitar suas escolhas. O papel do adulto é organizar os ambientes, favorecendo e enriquecendo o acesso das crianças a uma variedade de objetos e materiais cada vez mais instigantes que a desafiem a engatinhar, subir, descer, escorregar, pular, andar, etc. O adulto deve garantir um ambiente seguro e manter uma observação atenta aos balbucios, falas, expressões corporais, às necessidades emocionais, dificuldades e às novas aprendizagens das crianças.

E, ainda, através do diálogo constante e do respeito, permitir que, desde a mais tenra idade, a criança possa ter a experiência de decidir, de fazer escolhas, ao mesmo tempo percebendo que existem limites que precisam ser respeitados.

Todas essas experiências que fazem parte da rotina devem ser organizadas em um currículo de forma a proporcionar o desenvolvimento de habilidades, como andar, e a aprendizagem de aspectos culturais, como o hábito da leitura. O conhecimento, nessa fase, se dá basicamente por meio da ação,da leitura de mundo, da interação com os colegas e os adultos, da brincadeira, da imaginação e do faz de conta. Não se trata, portanto, de escolarizar as crianças tão cedo, mas de apoiá-las em seu desenvolvimento cognitivo e emocional. 

Explorar os objetos e brincadeiras baseia-se na ideia de que brincando a criança desenvolve a capacidade de imaginar, se insere na cultura e na sociedade e aprende a viver em grupo. Sozinha ou com os amigos, ela usa todos os recursos de que dispõe para explorar o mundo, ampliar sua percepção sobre ele e sobre si mesma, organizar o pensamento e trabalhar com afetos e sentimentos. Tudo ocorre num grau ainda maior quando o brincar envolve o chamado faz de conta.

O faz de conta é o primeiro contato da criança com as regras e com o papel de cada um, aprendizado fundamental para a vida em sociedade. A imaginação tem ainda uma função importante na regulação das próprias emoções e das ações. Aqueles que tiveram tolhida na infância a possibilidade de imaginar, em geral, apresentam a dificuldade de controlar os impulsos na vida adulta. A imaginação é um jeito de concretizar um pensamento sem a necessidade da ação.  

A brincadeira e o faz de conta são meios também de desenvolver a linguagem. Imaginando, a criança se comunica, constrói histórias e expressa vontades. Ao se relacionar com os colegas, coloca-se no lugar do outro, reforçando sua identidade.

A liberdade  que o brincar proporciona é fundamental para o desenvolvimento da criança por levá-la a conciliar o mundo objetivo e a imaginação.

Vantagens para as crianças de 0 a 3 anos que estão na creche ou na pré escola:

-> Têm oportunidade de brincar, movimentar-se livremente em espaços internos e externos e fazer escolhas .

-> Têm oportunidade de expressar-se por múltiplas linguagens.

-> Aprendem a dividir um espaço coletivo e a conviver em grupo.

-> Têm vínculos seguros e fortalecidos com os cuidadores /educadores.

-> Frequentam  espaços educativos com brinquedos e brincadeiras adequados e organizados de maneira a garantir seu pleno desenvolvimento e aprendizagem, permitindo que vivam plenamente sua infância sendo sempre estimulados.

-> Vivenciam uma rotina bem organizada, tornando-as capazes de fazer muitas atividades sem necessidade de comando e controle externos, bem como de organizar-se de acordo com suas necessidades e com as do grupo, aprendendo a reconhecer limites e vivenciar sua autonomia.

Nesta fase a criança aprende brincando! E brincando se aprende muito!”

Joelma Jardim é Pedagoga e Psicopedagoga