16 Perguntas para uma Mãe sobre APLV

Muitas pessoas confundem a APLV com Intolerância à Lactose ou outros tipos de alergia alimentar, mas na realidade a APLV é relacionada à proteína, enquanto a lactose é o açúcar do leite.

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No post de hoje vamos falar sobre a APLV, que é a alergia à proteína do leite de vaca, ou seja, uma reação do sistema imunológico às proteínas presentes nos alimentos.

Muitas pessoas confundem a APLV com Intolerância à Lactose ou outros tipos de alergia alimentar, mas na realidade a APLV é relacionada à proteína, enquanto a lactose é o açúcar do leite. A intolerância pode surgir a qualquer momento, inclusive na vida adulta, já a APLV ocorre geralmente em bebês e crianças menores de três anos e raramente ocorre em adultos.

Os sintomas podem variar apresentando desde problemas digestivos, intestinais, respiratórios, coceiras e inchaços na pele e outros aspectos como baixo ganho de peso, desenvolvimento, etc. O grau de reações muda de acordo com cada criança e pode sim levar a morte, mas por desinformação.  Por este motivo é importantíssimo ter a consciência de nunca (NUNCA mesmo) oferecer nenhum tipo de alimento a uma criança sem o consentimento (e conhecimento) dos pais.

Pra nos ajudar a entender melhor a APLV na vida real, eu fiz algumas perguntinhas à minha amiga Thalita, que é mãe do Pedro de 3 anos (e também da Thainá e do Matheus) e se tornou uma verdadeira expert no assunto, tanto que criou até uma fanpage no Facebook onde compartilha receitas e dicas do dia a dia com a APLV.

Quando você descobriu que seu filho tinha APLV? Os outros 2 também apresentam alguma restrição alimentar?

Descobri a APLV bem cedo, por volta dos dois meses. Os mais velhos não tem nenhum tipo de restrição alimentar e, justamente por ser o terceiro filho, desconfiei que havia algo errado, pelos choros constantes, muita cólica, irritação etc.

Que sintomas ele apresentava?

Cólicas, refluxo, muco e sangue nas fezes, dermatite.

Quais foram as dificuldades que você encontrou logo no início?

Foram muitas dificuldades: pouca informação, médicos e nutricionistas que ainda confundem APLV com Intolerância a Lactose, dificuldade para iniciar a dieta. Recebi muita ajuda de uma amiga que tem uma filha também alérgica na época, e no grupo Mfal (Meu filho é alérgico ao leite) do Facebook. Com as orientações dessa minha amiga e das mães do grupo, iniciei a dieta de exclusão para poder continuar amamentando o Pedro.

Você passou por algo diferente na gestação que pudesse identificar essa questão alimentar dele?

Não, tive uma gestação completamente normal.

Você ainda encontra dificuldades em frequentar certos lugares com o Pedro?

Ainda tenho muitas dificuldades, porque em todos os lugares que frequentamos são poucas as opções que ele pode consumir.

Como você lida com as festinhas de aniversário dos amiguinhos?

Procuro saber o que vai ser servido e levo opções para ele comer com segurança e não ficar com vontade.

E na escola? Ele não corre riscos de comer um pedacinho de lanche do amigo e ter uma reação?

Sempre corre esse risco, mas converso com ele todos os dias sobre isso. A professora também é muito atenta e fez um trabalho de conscientização com os amigos.

Quais são os cuidados que você toma com relação à interação dele com outras crianças?

Eu deixo ele sempre bem a vontade, mas estou sempre por perto supervisionando, e conversando com ele.

É verdade que a criança APLV não pode compartilhar copos, talheres, etc? E se ele beber um gole da água do amiguinho?

É verdade sim… O recomendado é que tome todo cuidado possível para não haver esse tipo de contaminação com  traços. Tudo depende do grau de alergia que a criança tem, umas são mais sensíveis, outras com o passar do tempo começam a tolerar os traços.

Ele entende que não pode comer certos alimentos?

Recentemente ele começou a entender que não pode, mas mesmo assim, às vezes me pede e diz que está com vontade…

E aí, o que você faz quando isso acontece?

Eu sempre converso, explico. Falo: “Lembra que faz dodói na barriga do Pedro?” Às vezes aceita numa boa, outras fica emburrado, como qualquer criança.

Já houve alguma melhora desde o nascimento?

Ainda não, se consumir algo com leite de vaca ou glúten, em poucas horas, começam as reações.

Mas são só esses dois itens? Como você lida com a questão dos “traços”, que podem estar presentes?

Sim. Se vc for ver, quase tudo tem leite ou glúten. Levo sempre a marmita dele com comida, frutas e bolo( ou pão, biscoito caseiro…). Sempre que saímos para almoçar, ou passar o dia fora.

A sua escolha em manter uma alimentação mais natural foi em função do APLV ou vocês já tinham esse hábito em casa?

Nós sempre buscamos praticar uma alimentação o mais saudável possível, pois faz parte da nossa filosofia de vida. Mas com a descoberta da alergia eu te digo que melhorou bastante. Cortamos muitos industrializados e agora faço tudo em casa, para os 3.

Como ficou a rotina dos filhos maiores com tantas restrições?

No começo foi difícil, pois tivemos que nos reeducar. Eles começaram a comer tudo o que eu fazia para o Pedro, mas me pediram para continuar comendo algumas coisas que gostam muito mas que o Pedro não pode (ex: manteiga e requeijão). Mas eles são muito compreensivos e cuidadosos com o irmão. Nunca imaginei que teria tanto apoio deles.

Você sente que seu filho sofre algum tipo de discriminação em “eventos sociais” ou as outras pessoas realmente se preocupam com a alimentação dele?

Não digo que seja discriminação, mas acho que é falta de conhecimento das pessoas mesmo, principalmente no que diz respeito ao oferecimento de alimentos às crianças sem perguntarem antes aos pais.

Lá na página Cozinhando para o Pedro – APLV, além de várias receitas deliciosas, tem também muitas fotos lindas do Pedro saboreando as comidinhas lindas que a mamãe faz!